Já que o blog nem nasceu e já está quase morrendo, cá estou eu pra redimir seus pecados e ressuscitá-lo das trevas do esquecimento e da falta de tempo.
Os versinhos de hoje são de minha autoria. São versinhos que brotaram das mais diversas situações, como palestras de juízes, depoimentos de orkut e estudos madrugais.
"E pelos (des)caminhos da vida
Um dia um certo alguém escolheu dar a contrapartida
E por acreditar na justiça do velho Direito
Resolveu estudar e se frustrar com seus dogmas malfeitos
Descobriu que os tribunais são cheios de pinguins enrustidos
Comendo, vomitando e ruminando discursos transvestidos
De uma realidade-sob-manto-preto que existe somente
Na espetacularização de pobres vidas dormentes
O desejo é a profanação de tudo que é sagrado
Violentar-estuprar-bagunçar a mente do advogado
Amassar-rasgar-queimar-fumar os códigos
Expor as vísceras dessa justiça(zinha) de pródigos
E é com desgosto de quem vive sob a perversão d’anomia
Que hoje escrevo esse lixo de poesia
Feito com os últimos suspiros de palavras vazias
Amém!"
E do Direito Penal saíram as penas!
Das Penas
"Das penas a galinha se fez
Chocou o ovo no galinheiro
Ciscou o chão com altivez
Morreu no prato com grosso tempeiro"
"Das penas fracas a asa quebrou
E o anjo iluminado o inferno inaugurou
Com o fogo de sua raiva o crime inventou
E o homem, pobre deus enrustido, na terra penalizou"
E no Direito Civil os cafetões do Direito inventaram as obrigações de dar, mas a prostitição de Têmis não é novidade e não vale nenhum verso...
Bem, despeço-me agora, sem rodeios nem floreios. Apenas Tchau!
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Fitinha Vermelha
Muito embora os Mutantes tenham ilustrado o título desse blog - que pretende ser muito além (mas também) de um espaço para confissões de adolescente, um lugar de divagações sobre os indivíduos e suas manifestações, delírios, invenções e pulsões - abrirei as postagens com textos profundos de Eduardo Galeano:
"Delmira
A este quarto ela foi chamada pelo homem que tinha sido seu marido; e querendo tê-la, ele amou-a e matou-a e se matou.
Os jornais uruguaios de 1914 publicaram a foto do corpo que jaz(z) tombado junto à cama, Delmira abatida por dois tiros de revolver, nua como seus poemas, as meias caídas, toda despida de vermelho:
- Vamos mais longe na noite, vamos...
Delmira Agustini escrevia em transe. Tinha cantado as febres do amor sem disfarces pacatos, e tinha sido condenada pelos que castigam nas mulheres o que nos homens aplaudem, porque a castidade é dever feminino, e o desejo, como a razão, um privilégio masculino. No Uruguai, as leis caminham na frente das pessoas, que ainda separam a alma do corpo como se fossem a Bela e a Fera. De maneira que perante o cadáver de Delmira se derramam lágrimas e frases a propósito de tão sensível perda para as letras nacionais, mas no fundo os chorosos suspiram com alívio - a morta morta está, e é melhor assim.
Mas, morta está? Não serão sombra de sua voz e eco de seu corpo todos os amantes que ardem nas noites do mundo? Não lhe abrirão um lugarzinho nas noites do mundo para que cante sua boca desatada e dancem seus pés resplandecentes?"
E mais:
"Cultura do Terror/4
A extorsão,
o insulto,
a ameaça,
o cascudo,
a bofetada,
a surra,
o açoite,
o quarto escuro,
a ducha gelada,
o jejum obrigatório,
a comida obrigatória,
a proibição de sair,
a proibição de se dizer o que se pensa,
a proibição de fazer o que se sente,
e a humilhação pública
são alguns dos métodos de penitência e tortura tradicionais na vida da família. Para castigo à desobediência e exemplo de liberdade, a tradição familiar perpetua uma cultura do terror que humilha a mulher, ensina os filhos a mentir e contagia tudo com a peste do medo.
- Os direitos humanos deveriam começar em casa- comenta comigo, no Chile, Andrés Domingues"
Corta-se, assim, a fitinha vermelha da inauguração e do cabelo. Está na hora de deixar o cabelo crescer!
Até mais!
"Delmira
A este quarto ela foi chamada pelo homem que tinha sido seu marido; e querendo tê-la, ele amou-a e matou-a e se matou.
Os jornais uruguaios de 1914 publicaram a foto do corpo que jaz(z) tombado junto à cama, Delmira abatida por dois tiros de revolver, nua como seus poemas, as meias caídas, toda despida de vermelho:
- Vamos mais longe na noite, vamos...
Delmira Agustini escrevia em transe. Tinha cantado as febres do amor sem disfarces pacatos, e tinha sido condenada pelos que castigam nas mulheres o que nos homens aplaudem, porque a castidade é dever feminino, e o desejo, como a razão, um privilégio masculino. No Uruguai, as leis caminham na frente das pessoas, que ainda separam a alma do corpo como se fossem a Bela e a Fera. De maneira que perante o cadáver de Delmira se derramam lágrimas e frases a propósito de tão sensível perda para as letras nacionais, mas no fundo os chorosos suspiram com alívio - a morta morta está, e é melhor assim.
Mas, morta está? Não serão sombra de sua voz e eco de seu corpo todos os amantes que ardem nas noites do mundo? Não lhe abrirão um lugarzinho nas noites do mundo para que cante sua boca desatada e dancem seus pés resplandecentes?"
E mais:
"Cultura do Terror/4
A extorsão,
o insulto,
a ameaça,
o cascudo,
a bofetada,
a surra,
o açoite,
o quarto escuro,
a ducha gelada,
o jejum obrigatório,
a comida obrigatória,
a proibição de sair,
a proibição de se dizer o que se pensa,
a proibição de fazer o que se sente,
e a humilhação pública
são alguns dos métodos de penitência e tortura tradicionais na vida da família. Para castigo à desobediência e exemplo de liberdade, a tradição familiar perpetua uma cultura do terror que humilha a mulher, ensina os filhos a mentir e contagia tudo com a peste do medo.
- Os direitos humanos deveriam começar em casa- comenta comigo, no Chile, Andrés Domingues"
Corta-se, assim, a fitinha vermelha da inauguração e do cabelo. Está na hora de deixar o cabelo crescer!
Até mais!
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